Goiânia (GO) · Publicado em
Um galho de uma das gameleiras da Praça Mestre Maria Henriqueta Peclat (conhecida como Praça da Cirrose), no Setor Oeste, caiu na noite de sábado (19) e reabriu a disputa sobre o corte de gameleiras em Goiânia. O prefeito Sandro Mabel voltou a defender a retirada das quatro árvores que a Prefeitura considera condenadas. O Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou, em 2 de setembro, que o município suspendesse o corte.
Ninguém se feriu. A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) retirou os galhos e liberou a área.
Mabel afirma que queda poderia ter ferido crianças
O prefeito afirmou que a Prefeitura foi impedida de cortar a árvore. “Quando a prefeitura faz extirpação de árvores condenadas é para preservar vidas. Esse galho da gameleira no Setor Oeste, em que fomos proibidos de cortar, poderia ter machucado pessoas. Inclusive crianças”, disse Mabel. Segundo ele, havia pessoas debaixo da árvore no momento da queda.
Moradores protestaram contra o corte no fim de agosto
A disputa começou semanas atrás. O grupo Goiânia Verde levou o caso ao MPGO em 27 de agosto e organizou um protesto na praça no domingo, 30. No dia 31, a vereadora Kátia Maria (PT) protocolou representação no MPGO e pediu laudo técnico independente antes de qualquer corte ou poda drástica.
A Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) afirmou que dois exemplares precisavam ser substituídos por estarem em condição crítica, com risco para quem passa pela rua. Segundo a Amma, galhos caíam com frequência sobre carros estacionados.
Promotoria apontou três laudos da Amma com conclusões diferentes
A recomendação saiu da 7.ª Promotoria de Justiça de Goiânia, assinada pela promotora Alice de Almeida Freire. O documento trata de quatro gameleiras com cerca de 70 anos.
A promotora apontou divergência entre três avaliações técnicas da Amma. Segundo a Promotoria, o laudo de novembro de 2024 indicou a remoção, por necrose e risco de queda. O de abril de 2026 concluiu que as árvores estavam estruturalmente íntegras e recomendou apenas manutenção. O de agosto de 2026 voltou a indicar a remoção.
O MPGO deu ao município dez dias úteis para enviar os três laudos, explicar a diferença entre as conclusões e fazer nova vistoria, com apoio técnico da própria Promotoria. A nova avaliação deve considerar alternativas ao corte, como dendrocirurgia e poda seletiva. O documento prevê ação civil pública com pedido de liminar se o município descumprir a recomendação.
Prefeito anunciou termo de responsabilidade para quem contestar laudo
Em entrevista coletiva em 1.º de setembro, Mabel anunciou que regulamentaria por decreto a poda e a retirada de árvores. “Eu tenho essa preocupação e envolve árvores que estão doentes. Elas vão cair”, afirmou.
O prefeito disse ainda que quem se opuser ao corte vai assinar um termo e responder pelos danos que a árvore causar. “E quem deu o laudo também, do mesmo jeito, se responsabiliza por ele”, completou. Na ocasião, Mabel não informou quando a regra entraria em vigor.
Comurg, Amma e Equatorial dividem o atendimento
O corte de gameleiras em Goiânia e de outras árvores em área pública passa por três órgãos. A Amma emite o laudo técnico e a autorização de retirada. A Comurg faz a poda preventiva e remove galhos e árvores caídos. A Equatorial Goiás atende os casos em que os galhos tocam a rede elétrica.
A Prefeitura informa que a Comurg fez mais de 150 mil podas preventivas na capital em 2026. O município não divulgou quantas árvores estão hoje classificadas como de risco nem quantos pedidos de retirada aguardam análise.

