Goiânia (GO) · Publicado em
As notificações de tuberculose em Goiás somaram 772 entre janeiro e setembro de 2026, alta de 3,5% sobre as 746 do mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO). Em todo o ano passado, o Estado registrou 999 casos. O Dia Nacional de Combate à Tuberculose é celebrado em 17 de novembro, e o tratamento é gratuito pelo SUS.
Goiás registra 772 notificações até setembro, contra 746 em 2025
As notificações de tuberculose em Goiás somam, segundo a SES-GO, 772 casos de janeiro a setembro de 2026. No mesmo período de 2025, foram 746 registros, o que representa aumento de 3,5%. Em todo o ano de 2025, as notificações chegaram a 999.
| Período | Notificações em Goiás |
|---|---|
| Janeiro a setembro de 2025 | 746 |
| Janeiro a setembro de 2026 | 772 |
| Todo o ano de 2025 | 999 |
No Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), unidade do Governo de Goiás gerida pelo Instituto Sócrates Guanaes (ISG), os registros caíram 2%. Foram 198 entre janeiro e 28 de outubro de 2025 e 194 no mesmo período deste ano.
Infectologista atribui alta discreta à ampliação do acesso a exames
O infectologista João Victor Coriolano, do HDT, atribui o aumento discreto à ampliação do acesso aos exames, que permite identificar mais casos da doença. Ele afirma que o dado não indica, necessariamente, mais transmissão.
“Com a maior disponibilidade de testes e o acesso mais fácil aos exames, conseguimos identificar mais pessoas com tuberculose. Isso não significa necessariamente que houve aumento da transmissão, mas que a rede está conseguindo diagnosticar mais casos”, explica o médico.
Tosse por mais de três semanas é um dos principais sinais
Segundo o ISG, o Dia Nacional de Combate à Tuberculose, em 17 de novembro, reforça a importância da prevenção, do reconhecimento dos sintomas e do diagnóstico precoce. A tosse persistente por mais de três semanas é um dos principais sinais da doença.
A tuberculose também pode provocar febre, geralmente no fim do dia, emagrecimento, fraqueza e, em alguns casos, sangue no escarro. Segundo o ISG, quem apresenta esses sintomas deve procurar uma unidade básica de saúde. O mesmo vale para quem teve contato com uma pessoa diagnosticada e para quem não melhorou após tratamento de pneumonia.
O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento e evitar a transmissão para outras pessoas, de acordo com o especialista.
Doença passa pelo ar e não se transmite por objetos
A tuberculose é transmitida pelo ar, por partículas eliminadas por pessoas com a forma pulmonar da doença ao falar, tossir ou cantar. Ambientes fechados e com aglomeração favorecem a transmissão.
O contágio não ocorre pelo compartilhamento de objetos, de roupas ou pelo contato com superfícies que o paciente utilizou, segundo o ISG.
Tratamento é gratuito no SUS e dura, em geral, seis meses
A tuberculose tem cura, e o tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na maioria dos casos, dura seis meses, mas pode chegar a um ano quando a doença atinge órgãos como ossos, articulações e sistema nervoso central.
O infectologista alerta que interromper o tratamento antes do prazo pode favorecer a resistência da bactéria aos medicamentos, dificultar a cura e provocar sequelas. “Quando o paciente não conclui o tratamento, a bactéria pode desenvolver resistência aos medicamentos. Além de dificultar a cura, a doença pode comprometer a função do órgão atingido”, afirma Coriolano.
Vacina BCG protege contra formas graves na infância
A vacina BCG, recomendada ao nascimento, protege principalmente contra as formas graves da tuberculose na infância, como a meningite tuberculosa.
Quem teve contato com uma pessoa diagnosticada deve procurar uma unidade de saúde, mesmo sem sintomas. Segundo o ISG, a avaliação permite identificar uma possível infecção e, quando necessário, iniciar o tratamento preventivo para evitar o desenvolvimento da doença.

