Rótulos de cachaça de alambique expostos em festival do setorRótulos de cachaça de alambique expostos em festival do setor. Foto: Anpaq

O Festival da Cachaça de Goiás ocupa o Flamboyant Hall, em Goiânia, até domingo, 13 de setembro. A primeira edição reúne mais de 400 rótulos de produtores de mais de dez estados brasileiros, com entrada gratuita.

A organização abriu o evento na quarta-feira, 9, com um coquetel para cerca de 200 convidados. A partir desta quinta-feira, 10, o público entra sem ingresso e sem retirada prévia.

“A gente está reunindo toda a cadeia produtiva dentro do evento”, afirmou Arthur de Castro, curador do festival. “A ideia é criar um ambiente de encontro e negócios e construir uma base para que o festival continue nos próximos anos.”

Selo nacional criado em maio chega à feira de Goiânia

A Associação Nacional da Cachaça de Alambique (Anpaq) lançou em 30 de maio deste ano o Selo Nacional da Cachaça de Alambique. A entidade integra a realização do festival goiano, o que traz o tema para dentro da feira.

O selo separa a cachaça de alambique da cachaça de coluna, produzida em escala industrial. Para obtê-lo, o produtor precisa destilar em alambique de cobre e trabalhar em bateladas, com separação controlada de cabeça, coração e cauda.

A adesão é voluntária. O produtor também precisa comprovar boas práticas de fabricação e registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O alambique de cobre define a categoria certificada pelo novo selo. Foto: [Anpaq]

Cada produtor certificado recebe um QR Code próprio e um número de série exclusivo. O consumidor lê o código no rótulo e acessa dados sobre a origem da bebida, o produtor e o processo de fabricação.

“O selo nasce para mostrar ao consumidor exatamente o que ele está comprando”, disse Sérgio Maciel, presidente da Anpaq. “Queremos dar visibilidade aos produtores que preservam a tradição da cachaça de alambique.”

A Anpaq lançou o Selo Nacional da Cachaça de Alambique em maio, durante o 3º Festival da Cachaça de Brasília. Foto: [Anpaq]

Crise do metanol acelerou a criação do selo

A Anpaq já mantinha um selo de qualidade próprio, concedido após análise sensorial às cegas e exame físico-químico. A reformulação nasceu da desconfiança do consumidor diante da adulteração de bebidas.

Os números da crise explicam a pressa. Em outubro de 2025, o Ministério da Saúde contabilizava 213 notificações de intoxicação por metanol. Eram 32 casos confirmados e cinco mortes em São Paulo.

“Diante da crise com o metanol, o Mapa pediu que adiantássemos o processo”, afirmou Sérgio Maciel à imprensa naquele mês.

Maciel sustenta que a cachaça artesanal corre menos risco de falsificação. A cadeia de distribuição é curta, e boa parte da venda ocorre direto ao consumidor.

Festival ocupa 4 mil metros quadrados no Flamboyant Hall

Os curadores montaram a feira em 4 mil metros quadrados. O espaço abriga estandes de cerca de 60 a 70 produtores, praça de alimentação, área de degustação orientada e brinquedoteca.

A programação técnica traz 25 palestras, seminários e oficinas gratuitas. O calendário inclui ainda rodadas de negócios entre produtores e compradores, e o Cozinha Show, comandado pelo Senar Goiás.

A organização distribuiu as atrações musicais ao longo dos cinco dias:

  • Quinta-feira (10), 19h — Marília Tavares
  • Sexta-feira (11), 19h — Kamilla Maria
  • Sábado (12), 18h — Henrique e Renan
  • Domingo (13), 14h — Heróis de Botequim

O encerramento coincide com o Dia Nacional da Cachaça, celebrado em 13 de setembro. “Estamos fazendo a primeira edição em Goiás justamente no período do Dia Nacional da Cachaça”, disse Arthur de Castro.

A programação recebe todas as idades. A venda e o consumo de bebida alcoólica seguem restritos a maiores de 18 anos.

Registros de cachaça em Goiás cresceram 75% em um ano

O Estado registra 38 estabelecimentos produtores e 327 marcas, segundo dados de 2024 citados pela organização. Esses números colocam Goiás em décimo lugar no país em número de produtores.

O salto recente chama mais atenção que a posição. As cachaças goianas registradas passaram de 169 em 2023 para 297 em 2024, alta de 75% em um ano.

Orizona guarda o único reconhecimento territorial do Estado. O município detém Indicação de Procedência concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), articulada pela associação local de produtores.

O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou em 2026 o Anuário da Cachaça. O levantamento contabiliza 1.538 estabelecimentos elaboradores no Brasil, em 844 municípios, e 8.379 produtos registrados. Minas Gerais lidera, com 564 unidades, seguida de São Paulo, com 230.

O setor exportou 7,95 milhões de litros para 76 países em 2025, o que rendeu US$ 17,07 milhões. A produção nacional somou 234,4 milhões de litros no mesmo ano.

Prefeitura de Goiânia entra com termo de fomento

A Agência Municipal de Turismo e Eventos (GoiâniaTur) apoia a feira. O órgão firmou termo de fomento com o Instituto Brasileiro de Integração.

“A cachaça é um produto genuinamente brasileiro, e Goiás vive um momento de expansão dessa cadeia produtiva”, disse Vinícius Gomes, presidente da GoiâniaTur.

Três entidades assinam a realização: o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), a Anpaq e a Associação Goiana de Produtores de Cachaça de Alambique (Agopcal). Sebrae, Senar, Sesc e a Prefeitura de Goiânia figuram entre os apoiadores.

O Festival da Cachaça de Goiás funciona no Flamboyant Hall, no Jardim Goiás, em Goiânia, até domingo, 13 de setembro.

Serviço

Festival da Cachaça de Goiás — 1ª edição

  • Data: 9 a 13 de setembro de 2026
  • Local: Flamboyant Hall, Goiânia (GO)
  • Entrada: gratuita

Programação musical

  • 10/9, quinta-feira — Marília Tavares, 19h
  • 11/9, sexta-feira — Kamilla Maria, 19h
  • 12/9, sábado — Henrique e Renan, 18h
  • 13/9, domingo — Heróis de Botequim, 14h

By admin