Wilder Morais (PL-GO) foi o menino que engraxava sapatos e vendia picolé nas ruas de Taquaral de Goiás. Pelo menos é o que contou sobre a própria infância pobre aos prantos, em entrevista ao jornal O Popular.
Hoje ele é multimilionário e candidato ao governo de Goiás. A filantropia de Wilder Morais, porém, não existe: nenhum instituto, nenhuma fundação, nenhuma doação pessoal. Nada. Os meninos pobres como ele foi seguem ser ver a mão do senador estendida, sem um projeto filantrópico bancado por ele.
A reportagem saiu na edição de final de semana de O Popular. Nela, o senador chora ao relembrar a falta de dinheiro para cuidar da própria saúde. Ele lembra também da saúde dos irmãos, na infância em Taquaral de Goiás.
Ele conta ter engraxado sapatos e vendido picolé nas ruas ainda criança. Mudou-se para Goiânia aos 16 anos.
Hoje candidato ao governo de Goiás, Wilder Morais usa essa trajetória como argumento central da própria biografia política.
Milionário há décadas
O senador fundou a construtora Orca em 1994, em Aparecida de Goiânia.
Ao longo de mais de três décadas, a empresa cresceu para shopping centers, mineração e hotelaria. Chegou a abrir uma subsidiária na Índia.
Nas declarações à Justiça Eleitoral, Wilder Morais já registrava R$ 32,6 milhões de patrimônio em 2018. Em 2022, o valor subiu para R$ 41,4 milhões — o maior entre os candidatos ao Senado por Goiás naquele ano. Em 2026, a declaração soma R$ 65,1 milhões.
A filantropia que não existe
Não há registro público de instituto, fundação ou programa social vinculado a Wilder Morais ou à construtora Orca.
Também não constam doações pessoais do senador a hospitais ou entidades assistenciais. Nem na cidade onde nasceu, nem em qualquer outro município goiano.
Fica a contradição. O menino pobre de Taquaral de Goiás virou multimilionário. Mas nunca destinou parte da própria fortuna para aliviar a pobreza que diz ter vivido.

