Peças e chicotes de veículos organizados em caixas de madeira em galpão, com um policial ao fundoPeças de veículos em local alvo de busca da Polícia Civil. Foto: Divulgação/PCGO

A Operação Mirage, da Polícia Civil de Goiás (PCGO), cumpriu 15 medidas judiciais nesta quarta-feira (4/11) contra um grupo investigado por fraude contra seguro, receptação e adulteração de sinais identificadores de veículos. Foram três mandados de prisão temporária e 12 de busca e apreensão, em Goiânia e em Lages (SC). Um investigado foi preso em flagrante em Goiânia.

Polícia investiga carro de luxo desmanchado em Goiânia

A Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA) conduziu a operação, com apoio da Polícia Civil de Santa Catarina e da Polícia Científica de Goiás, por meio do Laboratório de Identificação Veicular.

As investigações apontam que um veículo de luxo foi levado de Santa Catarina a Goiânia. Na capital, ele teria passado por uma oficina e, depois, por um galpão, onde seria desmanchado.

Mesmo com o carro já em Goiás, foi registrada em Santa Catarina uma ocorrência falsa de furto, segundo a Polícia Civil. A versão era que o veículo havia ficado em via pública, por problemas mecânicos, durante seis dias, período em que teria ocorrido a subtração. Depois do registro, segundo a investigação, o proprietário legal pediu a indenização do seguro.

Alvos incluem o dono do carro e quem registrou a ocorrência

Entre os alvos da operação estão o proprietário do veículo, a pessoa que registrou a ocorrência e outros investigados por envolvimento na receptação e no desmanche.

Em Goiânia, as diligências ocorreram em residências, em uma loja de peças, em uma oficina e em galpões suspeitos de servir à atividade criminosa. Em Santa Catarina, a polícia cumpriu dois mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão.

Investigado é preso com peça de outro carro roubado

Durante as buscas, a polícia prendeu em flagrante um dos investigados por receptação qualificada. A peça encontrada com ele, segundo a corporação, vinha de outro veículo de luxo roubado em São Paulo. No local, os policiais também apreenderam uma arma de fogo e munições.

Em outros endereços, os agentes encontraram diversas peças com sinais de adulteração.

Medida Quantidade Onde
Mandados de prisão temporária 3 Goiânia e Lages (SC)
Mandados de busca e apreensão 12 Goiânia e Lages (SC)
Prisão em flagrante 1 Goiânia
Total de medidas judiciais 15 Goiás e Santa Catarina
Fonte: Polícia Civil de Goiás.

O que o Código Penal prevê para esses crimes

A receptação consta do artigo 180 do Código Penal, com pena de reclusão de um a quatro anos e multa. A modalidade qualificada, prevista no parágrafo 1º do mesmo artigo, alcança quem desmonta, monta, remonta, vende ou expõe à venda coisa que deve saber ser produto de crime, no exercício de atividade comercial ou industrial. A pena é de reclusão de três a oito anos e multa.

O artigo 311 trata da adulteração de sinal identificador de veículo automotor, de seu componente ou equipamento. A pena é de reclusão de três a seis anos e multa. A Polícia Civil investiga o grupo por condutas dessa natureza.

A prisão temporária, medida cumprida em três casos na operação, vale por cinco dias e pode ser prorrogada por igual período, em caso de extrema e comprovada necessidade, conforme a Lei nº 7.960/1989.

Presunção de inocência vale para todos os investigados

Investigado não é condenado. A Constituição Federal assegura, no artigo 5º, inciso LVII, que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Na Operação Mirage, a polícia ainda apura a participação de cada investigado.

Por Redação

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