Raízes de gameleira avançam sobre muro e telhado de imóvel no Setor Campinas, em GoiâniaRaízes de gameleira avançam sobre muro e telhado de imóvel no Setor Campinas, em Goiânia. Foto: Luciano Magalhães/Prefeitura de Goiânia

A remoção de gameleira no Setor Campinas, em Goiânia, começou nesta quarta-feira (4/11) e deve durar cerca de dez dias, a depender do clima. A Prefeitura de Goiânia interditou o cruzamento das ruas José Hermano e Santa Bárbara, desviou quatro linhas de ônibus e mantém cerca de 100 funcionários da Comurg no trabalho, das 7h às 22h, todos os dias.

Amma autorizou a substituição por causa das raízes

A Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) autorizou a substituição da árvore da Rua José Hermano. Segundo a Prefeitura, as raízes obstruem totalmente a calçada, avançam sobre a pista e causaram danos à parede, ao telhado e à garagem de um imóvel vizinho.

A agente ambiental da Amma Wanessa de Castro explicou que a gameleira não é espécie adequada para calçadas. Segundo ela, a árvore tem sistema radicular tubular e raízes aéreas que precisam se fixar no solo. A agente afirmou que as raízes foram podadas, o que compromete a fixação e o desenvolvimento da planta.

Ministério Público acompanha o caso desde setembro

A Amma informa que a 8ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Goiás acompanha o caso em procedimento extrajudicial. Em setembro, a Promotoria pediu uma perícia à sua unidade técnica para avaliar se havia alternativa ao corte.

O laudo concluiu que a poda e a adaptação da calçada não resolvem o problema e recomendou a supressão da árvore, com o plantio de espécie adequada. A Amma autorizou o corte em 2024 e ratificou a autorização em agosto de 2026, após nova vistoria.

A Lei Complementar nº 374/2024, que institui o Plano Diretor de Arborização Urbana de Goiânia, permite o corte quando a árvore obstrui totalmente o passeio público ou causa danos estruturais às edificações vizinhas.

Guindaste baixa a árvore em partes

Na remoção de gameleira no Setor Campinas, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) destinou cerca de 100 funcionários à operação: 60 da Gerência de Poda e Extirpação e 40 da equipe de remoção e varrição. Um guindaste de grande porte, contratado para a ação, sustenta e baixa cada parte cortada.

O diretor de Serviços e Negócios da Comurg, José Antônio Nunes, explicou que a etapa atual é a poda de limpeza, preparação para a entrada dos grandes equipamentos. Depois, os guindastes acessam o tronco e as equipes cortam os galhos maiores, o tronco e as raízes aéreas, nessa ordem.

Se as equipes encontrarem ninhos de aves, colmeias de abelhas nativas ou outros animais, o serviço para na hora. A Gerência de Proteção e Manejo de Fauna da Amma orienta as providências. A Defesa Civil já orientou os moradores e acompanha a execução, e a Equatorial acompanha a rede elétrica, sem desligamento de energia.

Quatro linhas de ônibus têm desvio

A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) iniciou as interdições na noite de terça-feira (3/11), no entorno do cruzamento das ruas José Hermano e Santa Bárbara. A SET implantou sinalização temporária e bloqueou os acessos imediatos ao cruzamento. Agentes de trânsito controlam a circulação em pontos do trecho.

Na Rua Santa Bárbara, os bloqueios próximos às ruas do Mercado e Formosa permitem o acesso local. A mesma medida vale na Rua José Hermano, perto da Rua do Acre.

Linha Desvio definido pela CMTC
168, 174 e 315 Chegam pela Rua José Hermano e seguem pelas ruas do Acre, Formosa e 8, com retorno à José Hermano após o trecho interditado
176 Chega pela Rua B, passa pelas ruas 1, 8 e Desembargador Vicente Miguel e retoma o itinerário pela Rua do Mercado
Fonte: Prefeitura de Goiânia e CMTC.

Madeira vai para compostagem e leilão

A Prefeitura informa que a madeira da gameleira é leve e porosa e não serve à serraria e à marcenaria da Comurg, que exigem madeiras mais densas para bancos, pergolados e mobiliário de praças. Os galhos finos serão triturados e seguirão para compostagem. O tronco e as peças mais grossas irão a leilão.

Como compensação ambiental, o proprietário do imóvel deverá plantar no local uma escumilha-africana e mantê-la por, no mínimo, 12 meses, conforme a Lei Complementar nº 374/2024. A Amma doará a espécie logo depois da remoção das raízes.

Por Redação

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