Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab dão as mãos e sorriem diante de um telãoGilberto Kassab e Ronaldo Caiado. Foto de arquivo (2026). Reprodução/redes sociais de Gilberto Kassab

Análise

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, liberou os filiados do partido para o quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fala em relação “mais profunda” com o Planalto. A aproximação não surpreende quem acompanha o PSD, mas põe Caiado e o PSD em rumos opostos. O ex-governador de Goiás, candidato do partido à Presidência, construiu a carreira em oposição ao PT.

O que Kassab disse sobre o governo Lula

Na terça-feira (27/10), em Brasília, Kassab afirmou que os filiados estão liberados para integrar o novo governo. “Vamos permitir que nossos companheiros integrem o governo, mas sem submissão”, declarou.

No sábado (31/10), Kassab disse que o governo já procurou o partido. Ele condicionou a aproximação a medidas econômicas: “Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos”.

O movimento repete o histórico recente da sigla. No terceiro mandato de Lula, o PSD comandou os ministérios da Agricultura, de Minas e Energia e da Pesca, sem se declarar parte da base. No segundo turno de 2026, o partido ficou neutro, enquanto as outras grandes siglas do centrão apoiaram Flávio Bolsonaro.

Uma trajetória construída contra o PT

Caiado ganhou projeção nacional à frente da União Democrática Ruralista (UDR), entidade de produtores rurais que presidiu até 1989. Naquele ano, disputou a Presidência pela primeira vez. Depois, passou por PFL, PPR, DEM e União Brasil. Em janeiro de 2026, filiou-se ao PSD de Kassab, que o lançou candidato ao Planalto.

No segundo turno, Caiado declarou apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto o PSD ficou neutro. Depois da vitória de Lula, disse que esperava uma renovação política, mas que respeita a decisão da maioria. Até a publicação desta matéria, ele não havia comentado a aproximação do partido com o governo.

Troca de partido à vista?

A pergunta inevitável é se Caiado vai mudar de sigla outra vez. Se mudar, para onde? As opções são poucas, sobretudo as que oferecem espaço para lideranças do tamanho dele. Os partidos de direita com estrutura nacional já têm comando definido, e o PL, o maior deles, tem na família Bolsonaro sua principal liderança.

O caminho do equilíbrio

Outra saída é permanecer no PSD e se equilibrar, como Caiado fez nos anos de União Brasil. O União integrou o terceiro governo Lula com ministérios, e o goiano manteve a oposição ao petista. Em 2024, ele afirmou que o União Brasil “não deve caminhar com Lula” em 2026. Caiado preside o diretório estadual do PSD em Goiás desde março de 2026.

O União Brasil pode ser também um caminho de volta. A esposa do ex-governador, Gracinha Caiado, foi eleita senadora por Goiás em 4 de outubro pelo União Brasil, partido em que continua.

2030 no horizonte

Seja qual for a decisão, o cálculo de Caiado e o PSD passa por 2030. Em entrevista ao jornal O Popular, Caiado admitiu disputar novamente o governo de Goiás. “Não vou me aposentar”, afirmou. “O que está reservado a nós em 2030, vamos aguardar lá.”

Caiado governou Goiás por dois mandatos, eleito no primeiro turno em 2018 e em 2022.

Por Redação

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