Goiânia (GO) · Publicado em
A greve da Educação em Goiânia chegou ao fim nesta segunda-feira (15). Os servidores administrativos da rede municipal aprovaram em assembleia a proposta da Prefeitura, que escalona a tabela de vencimentos até 2030 e afasta o desconto dos dias parados. As unidades escolares voltam ao quadro completo nesta quarta-feira (16).
O acordo reúne cinco pontos
A proposta aceita pela categoria reúne cinco pontos. O primeiro é a reestruturação graduada da tabela de vencimentos, distribuída em cinco anos. O segundo é o pagamento da bonificação extraordinária correspondente ao auxílio-locomoção de julho.
O terceiro ponto preserva integralmente a bonificação de fim de ano. O quarto fixa a data-base da categoria em maio. O quinto trata dos dias de paralisação, sem corte de ponto nos contracheques.
A Prefeitura também se comprometeu a retomar a discussão das tabelas em abril de 2027, segundo o jornal O Hoje. O Sintego afirmou que manterá mobilização para acompanhar o cumprimento do acordo.
A tabela sobe 19,18% até 2030
O escalonamento produz ganho médio acumulado crescente a cada ano. Os percentuais não incluem os reajustes de data-base nem as progressões funcionais, que correm por fora.
| Ano | Ganho médio acumulado |
|---|---|
| 2026 | 7,99% |
| 2027 | 10,70% |
| 2028 | 13,45% |
| 2029 | 16,29% |
| 2030 | 19,18% |
Fonte: proposta da Prefeitura de Goiânia aprovada em assembleia, conforme o Jornal Opção, em 15 de setembro de 2026.
A reestruturação também altera a distância entre as faixas da carreira. A diferença entre níveis passa a 7,42%, e a diferença entre referências, a 1,2%.
O número de 19,18% descreve o efeito acumulado ao fim de cinco anos, e não um reajuste imediato. O ganho que entra no contracheque em 2026 é de 7,99%. Essa é a leitura da redação sobre os percentuais divulgados.
A categoria rejeitou a proposta de agosto por 85,1%
A greve da Educação em Goiânia começou em 17 de agosto. Em 25 de agosto, a Prefeitura apresentou um pacote que já continha o parcelamento da atualização salarial em cinco vezes, o auxílio-locomoção de julho, o bônus de dezembro sem desconto do período de greve, o abono dos dias parados e o cronograma de implementação até 2030.
A categoria recusou. Em votação, 85,1% dos servidores rejeitaram o texto e 14,9% o aprovaram.
O Sintego pedia a revisão da tabela salarial e a construção de um plano de carreira que reconhecesse a função dos administrativos, com implementação dentro do mandato atual — e não ao longo de cinco anos. Essa reivindicação central não entrou no acordo de agora: o horizonte de 2030 permaneceu.
O que mudou entre uma proposta e outra foi a fixação da data-base em maio, a manutenção integral da bonificação de fim de ano e o compromisso de rediscutir as tabelas em abril de 2027. A comparação entre os dois pacotes é cálculo da redação, a partir dos textos divulgados em agosto e em setembro.
A Prefeitura não vai descontar os dias parados
Não. A proposta aprovada prevê tratamento específico para o período de paralisação, sem desconto nos contracheques. O item já constava do pacote recusado em agosto e foi mantido.
O ponto tem peso jurídico. O Supremo Tribunal Federal firmou, no Recurso Extraordinário 693.456, com repercussão geral, que a administração pública deve descontar os dias de greve do servidor, salvo quando a paralisação decorrer de conduta ilícita do próprio poder público ou quando houver acordo de compensação. O abono negociado se encaixa na segunda hipótese.
A greve foi dos administrativos, não dos professores
A paralisação foi dos servidores administrativos da rede municipal de educação, e não dos professores. O grupo reúne secretários de escola, auxiliares de serviços gerais, merendeiras e apoio administrativo — quem mantém a unidade escolar funcionando.
A distinção importa para o leitor que acompanhou o noticiário. Manchetes que falaram apenas em servidores da Educação induzem à leitura de que a rede ficou sem aula, o que não corresponde ao que ocorreu.
O prefeito Sandro Mabel afirmou que o município não poderia assumir compromissos que colocassem em risco o equilíbrio das contas públicas. A gestão sustentou, durante a negociação, que as reivindicações precisariam ser compatibilizadas com a capacidade financeira do município e com os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
O Sintego volta à mesa em abril de 2027
O calendário deixa dois marcos. A data-base da categoria passa a maio, e a rediscussão das tabelas está marcada para abril de 2027. O Sintego declarou que seguirá cobrando o plano de carreira.
O acordo ainda depende de tradução em ato normativo. A alteração de tabela de vencimentos de servidor municipal exige lei, de iniciativa do prefeito, e a redação não localizou, até o fechamento desta matéria, projeto protocolado na Câmara de Goiânia com esse conteúdo.
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