Goiânia (GO) · Publicado em
O quociente eleitoral explica por que Aava Santiago (PSB) teve 123.311 votos para deputada federal em Goiás e não se elegeu. Segundo a divulgação oficial de resultados da Justiça Eleitoral, ela registrou a sétima maior votação do Estado — e ficou fora das 17 vagas. Candidatos com menos votos do que ela assumiram a cadeira.
Resposta rápida: em Goiás, o quociente eleitoral para deputado federal ficou em 212.220 votos. O partido precisa alcançar esse número para ganhar uma cadeira. O PSB somou 160.038 votos e não chegou lá, embora Aava Santiago sozinha tenha feito 123.311.
Voto de deputado vai primeiro para o partido, não para o candidato
O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) informa que deputados federais, estaduais e distritais são eleitos pelo sistema proporcional. Nele, os votos dados a cada candidato se somam aos votos de legenda — aqueles em que o eleitor digita apenas o número do partido.
Só depois de somados os votos do partido é que as vagas se distribuem entre os nomes da lista. Presidente, governador e senador seguem regra diferente, a do sistema majoritário, em que vence quem tem mais votos.
Quociente eleitoral de Goiás ficou em 212.220 votos
O tribunal explica que o quociente eleitoral sai de uma divisão simples: o total de votos válidos dividido pelo número de vagas em disputa. Goiás tinha 17 vagas na Câmara dos Deputados, e a divulgação oficial de resultados registra o quociente eleitoral do Estado em 212.220 votos.
Em seguida vem o quociente partidário: os votos válidos de cada partido ou federação divididos pelo quociente eleitoral. A parte inteira do resultado indica quantas cadeiras o partido conquista de imediato.
A mecânica está nos artigos 106 a 109 do Código Eleitoral, que tratam do quociente eleitoral, do quociente partidário e do preenchimento das vagas.
PSB somou 160.038 votos e não alcançou uma cadeira
O PSB disputou as vagas de deputado federal em Goiás isoladamente, sem federação. Somando os votos de todos os seus candidatos e os de legenda, o partido chegou a 160.038 votos, conforme a divulgação oficial.
Esse total equivale a 0,75 quociente eleitoral — cálculo da redação sobre os dados oficiais. Como a parte inteira da divisão é zero, o PSB não conquistou nenhuma cadeira pelo quociente partidário.
| Candidato | Partido | Votos | Situação |
|---|---|---|---|
| Bruno Peixoto | União Brasil | 207.899 | Eleito por quociente partidário |
| Delegada Adriana Accorsi | PT | 177.103 | Eleita por quociente partidário |
| Fred Rodrigues | PL | 152.380 | Eleito por quociente partidário |
| Aava Santiago | PSB | 123.311 | Não eleita |
| Adriano do Baldy | PP | 123.011 | Eleito por quociente partidário |
| Daniel Agrobom | PSD | 116.842 | Eleito por média |
Candidato eleito com 300 votos a menos estava em federação maior
Adriano do Baldy (PP) teve 123.011 votos e assumiu a cadeira. São 300 votos a menos que Aava Santiago — cálculo da redação sobre os números oficiais.
A diferença não está no desempenho pessoal dos dois, e sim no tamanho da legenda. O PP disputou dentro da Federação União Progressista, com o União Brasil, e o conjunto somou 691.720 votos — o equivalente a 3,26 quocientes eleitorais, conforme cálculo da redação. A federação elegeu quatro deputados federais por Goiás.
Daniel Agrobom (PSD), com 116.842 votos, entrou pela distribuição de sobras, que o próprio resultado oficial registra como eleição “por média”.
Candidato precisa de 10% do quociente para assumir a vaga
Mesmo quando o partido conquista a cadeira, nem todo nome da lista pode ocupá-la. O TRE-GO informa que o candidato só assume se alcançar, em votação nominal, pelo menos 10% do quociente eleitoral — em Goiás, 21.222 votos, conforme cálculo da redação.
Aava Santiago passou com folga desse piso. O obstáculo, no caso dela, foi o total do partido, não a própria votação.
Sobras completam as vagas que o quociente não preencheu
As cadeiras que não são preenchidas pelo quociente partidário vão para a distribuição de sobras, segundo o TRE-GO. O cálculo considera a votação de cada partido e o número de vagas já obtidas, em rodadas sucessivas, até que todas as cadeiras estejam ocupadas.
Foi por essa via que entrou o último grupo de eleitos em Goiás, entre eles Daniel Agrobom e Célio Silveira (MDB), com 105.256 votos.
Diplomação antecede a posse dos eleitos
Depois da totalização, o TRE-GO diploma os eleitos. A diplomação é o ato que atesta o resultado e habilita o candidato a tomar posse.
Os deputados federais eleitos em 4 de outubro assumem em 2027. A Constituição prevê, no artigo 57, parágrafo 4º, sessões preparatórias a partir de 1º de fevereiro do primeiro ano da legislatura, para a posse dos parlamentares.

