Retrato oficial da vereadora Aava Santiago, do PSB, candidata a deputada federal por GoiásAava Santiago (PSB), sétima maior votação de Goiás para deputado federal em 2026. Foto: Câmara Municipal de Goiânia

O quociente eleitoral explica por que Aava Santiago (PSB) teve 123.311 votos para deputada federal em Goiás e não se elegeu. Segundo a divulgação oficial de resultados da Justiça Eleitoral, ela registrou a sétima maior votação do Estado — e ficou fora das 17 vagas. Candidatos com menos votos do que ela assumiram a cadeira.

Resposta rápida: em Goiás, o quociente eleitoral para deputado federal ficou em 212.220 votos. O partido precisa alcançar esse número para ganhar uma cadeira. O PSB somou 160.038 votos e não chegou lá, embora Aava Santiago sozinha tenha feito 123.311.

Voto de deputado vai primeiro para o partido, não para o candidato

O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) informa que deputados federais, estaduais e distritais são eleitos pelo sistema proporcional. Nele, os votos dados a cada candidato se somam aos votos de legenda — aqueles em que o eleitor digita apenas o número do partido.

Só depois de somados os votos do partido é que as vagas se distribuem entre os nomes da lista. Presidente, governador e senador seguem regra diferente, a do sistema majoritário, em que vence quem tem mais votos.

Quociente eleitoral de Goiás ficou em 212.220 votos

O tribunal explica que o quociente eleitoral sai de uma divisão simples: o total de votos válidos dividido pelo número de vagas em disputa. Goiás tinha 17 vagas na Câmara dos Deputados, e a divulgação oficial de resultados registra o quociente eleitoral do Estado em 212.220 votos.

Em seguida vem o quociente partidário: os votos válidos de cada partido ou federação divididos pelo quociente eleitoral. A parte inteira do resultado indica quantas cadeiras o partido conquista de imediato.

A mecânica está nos artigos 106 a 109 do Código Eleitoral, que tratam do quociente eleitoral, do quociente partidário e do preenchimento das vagas.

PSB somou 160.038 votos e não alcançou uma cadeira

O PSB disputou as vagas de deputado federal em Goiás isoladamente, sem federação. Somando os votos de todos os seus candidatos e os de legenda, o partido chegou a 160.038 votos, conforme a divulgação oficial.

Esse total equivale a 0,75 quociente eleitoral — cálculo da redação sobre os dados oficiais. Como a parte inteira da divisão é zero, o PSB não conquistou nenhuma cadeira pelo quociente partidário.

Candidato Partido Votos Situação
Bruno Peixoto União Brasil 207.899 Eleito por quociente partidário
Delegada Adriana Accorsi PT 177.103 Eleita por quociente partidário
Fred Rodrigues PL 152.380 Eleito por quociente partidário
Aava Santiago PSB 123.311 Não eleita
Adriano do Baldy PP 123.011 Eleito por quociente partidário
Daniel Agrobom PSD 116.842 Eleito por média
Fonte: divulgação oficial de resultados da Justiça Eleitoral, deputado federal, Goiás, leitura de 4 de outubro de 2026, às 22h38. Seleção de linhas feita pela redação.

Candidato eleito com 300 votos a menos estava em federação maior

Adriano do Baldy (PP) teve 123.011 votos e assumiu a cadeira. São 300 votos a menos que Aava Santiago — cálculo da redação sobre os números oficiais.

A diferença não está no desempenho pessoal dos dois, e sim no tamanho da legenda. O PP disputou dentro da Federação União Progressista, com o União Brasil, e o conjunto somou 691.720 votos — o equivalente a 3,26 quocientes eleitorais, conforme cálculo da redação. A federação elegeu quatro deputados federais por Goiás.

Daniel Agrobom (PSD), com 116.842 votos, entrou pela distribuição de sobras, que o próprio resultado oficial registra como eleição “por média”.

Candidato precisa de 10% do quociente para assumir a vaga

Mesmo quando o partido conquista a cadeira, nem todo nome da lista pode ocupá-la. O TRE-GO informa que o candidato só assume se alcançar, em votação nominal, pelo menos 10% do quociente eleitoral — em Goiás, 21.222 votos, conforme cálculo da redação.

Aava Santiago passou com folga desse piso. O obstáculo, no caso dela, foi o total do partido, não a própria votação.

Sobras completam as vagas que o quociente não preencheu

As cadeiras que não são preenchidas pelo quociente partidário vão para a distribuição de sobras, segundo o TRE-GO. O cálculo considera a votação de cada partido e o número de vagas já obtidas, em rodadas sucessivas, até que todas as cadeiras estejam ocupadas.

Foi por essa via que entrou o último grupo de eleitos em Goiás, entre eles Daniel Agrobom e Célio Silveira (MDB), com 105.256 votos.

Diplomação antecede a posse dos eleitos

Depois da totalização, o TRE-GO diploma os eleitos. A diplomação é o ato que atesta o resultado e habilita o candidato a tomar posse.

Os deputados federais eleitos em 4 de outubro assumem em 2027. A Constituição prevê, no artigo 57, parágrafo 4º, sessões preparatórias a partir de 1º de fevereiro do primeiro ano da legislatura, para a posse dos parlamentares.

By Redação

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