Mãos contam cédulas de cinquenta e de vinte reaisNotas de real. Foto de arquivo, 2022. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O presidente é candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva assinou em 17 de setembro o decreto que reajusta o Bolsa Família em 15%. O benefício básico sobe de R$ 600 para R$ 691 por família. O Bolsa Família em Goiás atendia 447.642 famílias em maio, nos 246 municípios do Estado.

Decreto elevou o benefício básico de R$ 600 para R$ 691

O reajuste de 15% alcança as quatro parcelas que compõem o pagamento. A tabela abaixo traz os valores antes e depois.

Valores do Bolsa Família antes e depois do decreto de 17 de setembro de 2026
Parcela Antes Depois
Benefício básico, por família R$ 600 R$ 691
Renda de Cidadania, por pessoa R$ 142 R$ 164
Benefício Primeira Infância R$ 150 R$ 173
Benefício Variável Familiar R$ 50 R$ 58

O governo federal informa que a medida custa R$ 5,8 bilhões entre outubro e dezembro de 2026, e R$ 22,7 bilhões por ano em 2027 e 2028.

Goiás tinha 447,6 mil famílias no programa em maio

Em maio de 2026, o último balanço estadual divulgado, o programa pagava a 447.642 famílias goianas, em todos os 246 municípios. O valor médio por domicílio no Estado era de R$ 680,76, e o repasse do mês passou de R$ 304,3 milhões.

Goiânia concentrava o maior número de beneficiários, com 67.471 famílias. Vinham em seguida Águas Lindas de Goiás, com 22.701; Aparecida de Goiânia, com 21.690; Luziânia, com 20.047; e Rio Verde, com 11.104.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social ainda não divulgou quantas famílias goianas receberão o valor reajustado nem qual será o repasse ao Estado em outubro. O número de beneficiários oscila todo mês, com a revisão cadastral.

Caiado chamou o reajuste de uso eleitoreiro

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e candidato à Presidência pelo PSD, criticou a medida em suas redes sociais. Para ele, aprovar “R$ 5,8 bilhões de reajuste a 17 dias da eleição escancara o uso eleitoreiro do programa”.

O candidato acrescentou: “A dívida do país está no vermelho. É um desgoverno que rifa o futuro do país sem o menor pudor.”

Outros presidenciáveis reagiram no mesmo dia. Flávio Bolsonaro (PL) classificou o aumento como ilegal e proibido. Romeu Zema (Novo) o chamou de desesperado e eleitoral. Renan Santos (Missão) anunciou que recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral.

Vale lembrar que Jair Bolsonaro fez a mesma coisa em 2022.

AGU sustenta que o decreto não cria benefício novo

A Advocacia-Geral da União defendeu a validade da medida. Segundo o órgão, o decreto “não cria novos benefícios” e apenas impede que a inflação reduza a proteção das famílias vulneráveis.

O governo aponta que o percentual corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor entre março de 2023 e agosto de 2026, de 15,04%, e que a atualização estava autorizada na lei aprovada pelo Congresso em 2023.

Lei 9.504 proíbe distribuição gratuita em ano eleitoral, com três exceções

A discussão jurídica gira em torno do parágrafo 10 do artigo 73 da Lei 9.504, de 30 de setembro de 1997. O dispositivo proíbe, no ano em que se realizar eleição, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública.

A proibição comporta três exceções: calamidade pública, estado de emergência e programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior. Nesta última hipótese, o Ministério Público pode acompanhar a execução financeira e administrativa do programa.

É nessa terceira exceção que o governo federal apoia a defesa do decreto, ao afirmar que o Bolsa Família tem lei própria e já rodava no orçamento de 2025. Quem contesta a medida sustenta que o aumento, pelo tamanho e pela data, extrapola a atualização de um programa em curso.

A violação do artigo 73 sujeita o responsável a multa e, conforme a gravidade, à cassação do registro ou do diploma. A palavra final cabe à Justiça Eleitoral, se algum legitimado levar o caso a ela.

Primeiro turno ocorre em 4 de outubro

O reajuste do Bolsa Família em Goiás e no restante do país começa a valer na folha de outubro, segundo o governo federal. A votação do primeiro turno ocorre no domingo, 4 de outubro de 2026, das 8h às 17h, em horário unificado.

By Redação Notícias de Goiás

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