Flávio Bolsonaro cercado de aliados ao falar com jornalistas na noite da derrota, em BrasíliaFlávio Bolsonaro fala com jornalistas após a derrota no segundo turno, em Brasília. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse em uma live, na noite de sexta-feira (30/10), que “não saiu do Brasil, saiu pelo Brasil”. Derrotado por Lula (PT) no segundo turno, ele deixou o país depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio afirmou que o Brasil vive “um regime de exceção” e que pode disputar a Presidência de novo antes de 2030, data da próxima eleição.

O que Flávio Bolsonaro disse na live?

Em cerca de 17 minutos, Flávio falou ao lado da família, sem informar onde está. Ele afirmou que, de fora, terá “um pouquinho mais de liberdade” para se manifestar. Também disse que não vai apontar culpados pela saída: “A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse”.

O senador contou que visitou o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, na manhã de segunda-feira (26/10). Segundo Flávio, policiais federais o esperavam na porta e o intimaram de uma decisão de Moraes que apreendia os passaportes e o proibia de sair do Brasil. Ele disse ter respondido ao pai: “começou a perseguição”.

Flávio atribuiu à decisão um motivo político. Ele afirmou que Moraes agiu sem ouvir a Procuradoria-Geral da República e o acusou, “falsamente”, de ligação com contas bancárias de um amigo. O ministro não comentou as declarações até a publicação.

O que Flávio Bolsonaro disse sobre a eleição?

O senador voltou a questionar o resultado, sem apresentar provas. Ele disse que o adversário cometeu “vários gols de mão” que “não foram anulados pelo VAR”, e prometeu explicar as críticas “em breve”. Afirmou ainda: “Eu perdi para o sistema, eu não perdi para o meu adversário”.

Flávio previu que a economia será o principal fator de desgaste do governo e que o Brasil está “fadado a quebrar”. Ele não apresentou dados. Disse que está disposto a disputar a Presidência de novo: “Eu não tô falando de 2030 não, eu tô falando de antes disso”.

O que Flávio pediu aos aliados?

O senador pediu que apoiadores “fiquem firmes” e disse que a oposição terá o Congresso como “trincheira”, em especial o Senado. Ele anunciou que indicará Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência da Casa e pediu que os eleitores cobrem os senadores em quem votaram. Também pediu que a live fosse compartilhada.

Como foi a saída de Flávio Bolsonaro do país?

O prazo para a entrega dos passaportes terminou às 11h de terça-feira (27/10), e a Polícia Federal cancelou os documentos. Segundo a linha do tempo reunida pela imprensa, Flávio entrou na Argentina na noite de terça e seguiu em voo privado para o Equador e os Estados Unidos. Ele pousou em Miami na quarta-feira (28/10).

A Polícia Federal informou que Flávio descumpriu a ordem do STF, mas disse que ele não é considerado foragido. Na live, o senador citou que o irmão, Eduardo Bolsonaro, já está nos Estados Unidos.

A decisão de Moraes atendeu a pedido da Polícia Federal em uma investigação sobre lavagem de dinheiro. Flávio nega irregularidades.

O que dizem o TSE e a checagem sobre a eleição?

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamou a reeleição de Lula no domingo (25/10), com 51,79% dos votos válidos. Flávio teve 48,21%. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reafirmou a vitória. O PL reconheceu o resultado no domingo, e Marinho afirmou que não há provas de fraude.

Uma checagem do Comprova não encontrou evidências de fraude. Na quarta-feira (28/10), Flávio Bolsonaro publicou uma carta em que se declarava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois das críticas, apagou o texto e passou a se descrever como “líder do Brasil”.

O Notícias de Goiás acompanha os desdobramentos do caso, incluindo as reações no Congresso e no Supremo.

Por Redação

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