Equipe de saúde durante procedimento em sala de hospital públicoMutirão de atendimentos do SUS no Hospital Universitário de Brasília. Foto de arquivo (2025). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em caso de picada de cobra, a vítima deve lavar o local com água e sabão, se possível, e ir imediatamente a um serviço de saúde. É o que orienta o Ministério da Saúde. O tratamento com soro antiofídico é gratuito, mas só ocorre em hospital, depois de avaliação médica. Este guia reúne o que fazer, o que evitar e onde buscar atendimento em Goiás.

Por que o cuidado com cobras importa em Goiás?

Em 2023, o Brasil registrou 341.806 acidentes com animais peçonhentos, segundo o Ministério da Saúde. Desse total, 32.514 foram causados por serpentes, o equivalente a 9,5%. Mais de 95% dos acidentes atingem pernas ou braços.

Em Goiás, o Governo do Estado informou, em setembro de 2025, 959 acidentes com serpentes e cinco mortes confirmadas no ano. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) também divulgou que a frequência de animais peçonhentos aumenta no período chuvoso.

O que fazer em caso de picada de cobra?

O Ministério da Saúde indica a seguinte sequência de cuidados enquanto a vítima não chega ao hospital:

  1. afaste a vítima da serpente e a mantenha calma;
  2. retire sapatos, anéis, pulseiras e outros objetos que possam apertar o membro atingido;
  3. lave o local com água e sabão, se for possível;
  4. mantenha a região da picada em posição confortável, de preferência elevada em relação ao corpo;
  5. leve a vítima rapidamente ao ponto de atendimento de referência.

O Ministério também orienta oferecer água para beber. Se houver segurança, uma foto da serpente ajuda na identificação. A foto, porém, nunca deve atrasar a ida ao hospital nem exigir aproximação do animal.

A SES-GO reforça que a vítima deve procurar o serviço de saúde sem esperar o aparecimento de sintomas. Na dúvida sobre o transporte, o serviço de urgência SAMU atende pelo telefone 192.

O que não fazer depois de uma picada de cobra?

O Ministério da Saúde alerta para condutas que pioram o quadro. As principais são estas:

  • não faça torniquete nem amarre o local: a medida dificulta a circulação, concentra o veneno e pode levar à amputação;
  • não chupe o local da picada: a sucção não retira o veneno e pode causar infecção, porque há bactérias na boca das serpentes;
  • não corte a ferida, segundo orientação do Governo de Goiás;
  • não aplique substâncias no local, como álcool, borra de café, vinagre, urina, ervas, querosene ou gasolina.

O Ministério resume a recomendação em uma frase: “Jamais aplicar qualquer tipo de substância”. As chamadas “garrafadas” e outros métodos populares não têm eficácia comprovada, de acordo com o órgão.

Quais sinais podem aparecer após a picada?

Os sintomas variam de acordo com o tipo de serpente. O Ministério da Saúde descreve três quadros principais:

  • jararaca, jararacuçu, urutu e cruzeira: dor e inchaço no local da picada, manchas arroxeadas e sangramentos, como o das gengivas e o da urina;
  • cascavel: formigamento no local, às vezes sem dor visível, além de olhos pesados, visão turva ou dupla, dor de cabeça e urina escura nos casos graves;
  • coral-verdadeira: dor variável, visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e sonolência.

Nem toda picada de serpente peçonhenta resulta em envenenamento. Mesmo assim, só o médico pode avaliar a necessidade do soro. Por isso, a vítima deve ir ao hospital em qualquer situação.

Onde buscar o soro antiofídico em Goiás?

O soro é produzido pelo Instituto Butantan e distribuído exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde afirma que o tratamento é gratuito e que o soro só deve ser aplicado em ambiente hospitalar. Nem todos os hospitais têm o medicamento, e as secretarias estaduais indicam as unidades adequadas.

Em Goiás, a SES-GO informou, em 2025, que 86 polos de atendimento oferecem soro antiofídico. O Governo do Estado também apontou o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Anuar Auad (HDT), em Goiânia, como retaguarda para os casos mais graves.

A SES-GO mantém um painel de indicadores com os polos e as unidades de referência. O morador deve conhecer o hospital mais próximo de casa antes de precisar dele.

Como evitar acidentes com cobras?

O Ministério da Saúde recomenda medidas simples de prevenção, principalmente em atividades rurais e em trilhas:

  • use calçados fechados, perneiras ou botas de cano alto;
  • observe onde pisa e onde apoia as mãos;
  • não mexa em buracos no chão nem em ocos de árvores sem proteção.

O Governo de Goiás acrescenta que as pessoas devem examinar roupas e sapatos antes de usá-los e manter jardins e quintais limpos. Se uma serpente aparecer dentro ou perto da casa, o morador deve se afastar e acionar o Corpo de Bombeiros, sem tentar capturar o animal.

Perguntas frequentes sobre picada de cobra

Preciso ir ao hospital se não senti dor?

Sim. A SES-GO orienta procurar atendimento sem esperar sintomas. Alguns quadros, como o da cascavel, podem causar apenas formigamento.

Posso fazer torniquete até chegar ao hospital?

Não. O Ministério da Saúde afirma que o torniquete concentra o veneno no local e pode levar à amputação.

Hospital particular aplica o soro?

Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento de acidentes ofídicos ocorre na rede do SUS, sem custo para o paciente.

Existe telefone para tirar dúvidas em Goiás?

Sim. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Goiás (CIATox-GO) atende 24 horas pelo telefone 0800 646 4350, segundo o Governo de Goiás.

Aviso importante

Este guia é informativo e não substitui o atendimento médico. Em qualquer picada de cobra, procure o serviço de saúde imediatamente. As informações foram conferidas em 30 de outubro de 2026, com base nas orientações do Ministério da Saúde e do Governo de Goiás.

Por Redação

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