Captura de tela de publicação da Store Supermercados no Instagram, com foto em preto e branco de vitrine marcada com a palavra Jude e uma estrela de DaviPublicação da rede Store Supermercados no Instagram com foto histórica de vitrine marcada com a palavra "Jude" e uma estrela de Davi. Reprodução/Instagram @storesupermercados

A rede Store Supermercados reagiu, em publicação no Instagram, à inclusão da empresa em uma “lista de comércios petistas”e aos comentários de ódio que tem recebido desde então.

A publicação reúne várias imagens. Na segunda delas, em preto e branco, aparece a vitrine de uma loja de tecidos com a palavra “Jude” e uma estrela de Davi pintadas no vidro. Um cartaz em alemão, preso à vitrine, traz o texto “Deutsche! Wehrt Euch! Kauft nicht bei Juden!”, que em português significa “Alemães! Defendam-se! Não comprem de judeus!”.

Na legenda, a rede escreveu: “Quando escrevem para pintar uma estrela na fachada essa foto seria a inspiração? Antes que esqueçam: jamais apoiamos nenhum candidato e todos vocês são bem-vindos às nossas lojas”. A empresa não detalhou, no texto da publicação, quais ofensas recebeu nem a quem as atribui.

Até o início desta quarta-feira (28) a publicação ela somava mais de 6,1 mil curtidas, cerca de 1,05 mil comentários e 253 compartilhamentos.

Empresa diz receber milhares de ofensas por dia desde o domingo

Em resposta a um seguidor, a conta oficial da rede afirmou: “São milhares de ofensas recebidas por dia desde domingo”. O comentário da empresa indica que o ataque se concentra desde o dia do segundo turno, quando os eleitores foram às urnas para escolher candidatos.

A rede também respondeu a outros internautas. A uma pessoa que escreveu ter “pegado ranço”, a empresa perguntou: “Tem gosto de quê?”. A uma seguidora que perguntou se havia vagas de emprego, porque conhecidos estariam sendo demitidos, a conta afirmou que sempre há vagas e que, “em breve”, todas as lojas adotarão a escala 5×2. A resposta passou de 490 curtidas.

Seguidores elogiam posicionamento e lembram a perseguição aos judeus

Os comentários se dividem entre apoio à rede e reflexões sobre o paralelo histórico. Uma cliente escreveu que a empresa “ganhou uma cliente fiel”, e o comentário passou de 160 curtidas. Outro seguidor disse sentir “alívio no peito” ao ver uma rede de grande porte se posicionar, e teve mais de 300 curtidas.

Um internauta, em comentário fixado pela própria rede, lembrou que o Holocausto “não começou nas câmaras de gás”. Segundo ele, antes disso os nazistas marcavam os comércios de judeus com a palavra “Jude” e com a estrela de Davi, para incentivar a população a não comprar nesses locais, uma forma de “humilhar, excluir e perseguir”. O comentário somou mais de 120 curtidas. Outra pessoa descreveu a situação como uma “doença da maldade” que articula “a fome, a desgraça e a falência do próximo”.

Referência à República de Weimar e ao boicote nazista

A imagem remete ao período em que a República de Weimar (1919-1933) deu lugar ao regime nazista na Alemanha. Naquele contexto, o boicote a lojas de proprietários judeus, com a marcação das vitrines, foi um dos primeiros passos de uma política de exclusão que, nos anos seguintes, evoluiria para a perda de direitos, de negócios e de liberdade e, por fim, para o extermínio de milhões de pessoas.

A comparação com o presente é feita pela própria rede e por seus seguidores, e não por esta reportagem. Nada na publicação indica que comércios goianos tenham sido marcados dessa forma.

Relatos de listas de comerciantes petistas chegam a outros municípios

Circulam relatos de listas com nomes de comerciantes apontados como petistas em outros municípios goianos, como Itapuranga e Piracanjuba. A reportagem não teve acesso a essas listas e não confirmou, de forma independente, os casos. A Store Supermercados não mencionou as listas na publicação.

Assédio eleitoral pode ser denunciado ao MPT, mesmo após as eleições

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebe denúncias de assédio eleitoral nas relações de trabalho, como pressão, ameaça de demissão, promessa de vantagem ou retaliação a empregados por causa de suas escolhas políticas. Quem sofre ou presencia esse tipo de conduta pode denunciar ao MPT pelo site do órgão e pelo aplicativo Pardal. Fatos ocorridos antes, durante e depois da votação também podem ser levados ao órgão.

Para fortalecer a denúncia, vale guardar provas, como mensagens, áudios, e-mails, fotos e vídeos. O Código Eleitoral, em seu artigo 301, tipifica como crime usar violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar, ou não votar, de determinado modo. A pena é de reclusão de até quatro anos, além de multa.

Por Redação

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