Goiânia (GO) · Publicado em
A doação de órgãos em Goiás só acontece com autorização da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de doar. Não existe documento oficial que substitua essa autorização. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), 2.585 pessoas aguardam um transplante no estado. Por isso, a orientação central é conversar com os parentes sobre a decisão.
Como virar doador de órgãos em Goiás
A SES-GO afirma que o doador não precisa de documento nem de cadastro. Segundo a Gerência de Transplantes da secretaria, basta conversar com a família sobre o desejo de doar. A doação só ocorre depois que um parente autoriza.
- Decida se quer ser doador de órgãos e tecidos.
- Converse com cônjuge, pais, filhos e irmãos sobre a decisão.
- Peça que a família respeite o desejo no momento em que a equipe de saúde fizer a consulta.
A gerente da Central Estadual de Transplantes, Katiuscia Freitas, afirma que a doação “começa com uma conversa em família”. Segundo a SES-GO, 67,3% das famílias entrevistadas pela central não autorizam a doação após a morte.
Quem pode doar e o que se doa
A doação pode ocorrer de duas formas. O doador vivo é uma pessoa saudável que concorda em doar sem prejudicar a própria saúde e que tem compatibilidade com o receptor. Ele pode doar um rim, parte do fígado, medula óssea ou parte do pulmão.
A lei permite que parentes até o quarto grau e cônjuges doem em vida. Para quem não é parente, a doação exige autorização judicial, de acordo com a SES-GO.
O doador falecido é o paciente com morte encefálica, em geral causada por traumatismo craniano grave ou por acidente vascular cerebral extenso. Nesse caso, a autorização parte de um parente até o segundo grau.
| Tipo | O que se pode doar |
|---|---|
| Órgãos (doador falecido) | Coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestinos e rins |
| Tecidos (doador falecido) | Córneas, vasos sanguíneos, ossos, tendões, pele, medula óssea e válvulas cardíacas |
| Doador vivo | Um rim, parte do fígado, medula óssea ou parte do pulmão |
Como a morte encefálica é diagnosticada
O Conselho Federal de Medicina regulamenta o diagnóstico. Dois médicos de áreas diferentes examinam o paciente, e um exame complementar precisa ser interpretado por um médico, segundo a SES-GO.
A retirada dos órgãos é uma cirurgia comum e deixa apenas uma incisão. A secretaria informa que o corpo pode ser velado normalmente.
Quem recebe os órgãos
A doação de órgãos em Goiás abastece uma lista única. Os receptores aguardam nessa lista, definida pela Central Estadual de Transplantes e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes. A equipe cirúrgica avalia compatibilidade, idade, doenças associadas e urgência.
A SES-GO divulga os números da fila em Goiás: 1.807 pessoas aguardam córnea e 757 aguardam rim. Há ainda 11 na fila combinada de pâncreas e rim, 7 de fígado e 3 de pâncreas.
Por que a conversa em família decide a doação?
Em todo o Brasil, a família precisa autorizar a doação para que o procedimento siga, mesmo quando o doador manifestou a vontade em vida. A campanha da SES-GO usa esse ponto como eixo: quem deseja doar deve contar a decisão aos parentes, para que eles a conheçam e a respeitem no momento da consulta.
A taxa de recusa familiar mostra o peso da regra. Conforme a Central Estadual de Transplantes, 67,3% das famílias entrevistadas em Goiás não autorizam a doação após a morte. Cada recusa mantém na fila pacientes que dependem de rim, fígado, pâncreas ou córnea.
O que a campanha Setembro Verde fez em 2026
A SES-GO abriu a campanha deste ano em 2 de setembro, em Goiânia, com profissionais de saúde, famílias de doadores e pacientes transplantados. Em 17 de setembro, a secretaria fez uma blitz educativa com o Detran-GO, no Setor Sul.
Em 27 de setembro, Dia Nacional da Doação de Órgãos, o V Passeio Ciclístico “Pedal pela Vida” saiu do Parque Areião. A secretaria também convidou prédios públicos e privados a iluminar as fachadas de verde durante o mês.
Perguntas frequentes sobre doação de órgãos
Não. A Gerência de Transplantes da SES-GO informa que basta conversar com a família sobre o desejo de doar. A doação só ocorre com a autorização dos parentes.
Um parente até o segundo grau autoriza a doação, segundo a SES-GO. A decisão vale mesmo que a pessoa tenha manifestado o desejo em vida.
Pessoas saudáveis e compatíveis com o receptor. Parentes até o quarto grau e cônjuges podem doar. Para não parentes, a lei exige autorização judicial.
Não. A retirada é uma cirurgia comum, que deixa apenas uma incisão, e a SES-GO informa que o corpo pode ser velado normalmente.

