Quarto hospitalar com duas camas vazias e janela ao fundoImagem ilustrativa. Foto: Divulgação

O Ministério Público de Goiás (MPGO) pediu à Justiça o pagamento de multa de R$ 19 milhões a Goiânia por descumprir a ordem de transferir, em até 24 horas, pacientes que esperam leitos hospitalares nas unidades de urgência. O pedido foi apresentado pelo Grupo de Atuação Especial na Defesa da Saúde (GAE Saúde) contra o Município, o prefeito Sandro Mabel e o secretário de Saúde, Luiz Gaspar Machado Pellizzer.

Decisão obriga Goiânia a transferir pacientes em até 24 horas

A obrigação nasceu de uma liminar concedida em agosto de 2024 na Ação Civil Pública nº 5767169-53.2024.8.09.0051. Uma sentença confirmou a decisão em dezembro de 2025.

A decisão determina que pacientes que aguardam leitos hospitalares nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), nos Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais) e nos Centros Integrados de Atenção Médico-Sanitária (Ciams) sigam para hospitais em até 24 horas. O prazo conta do registro na Central de Regulação, com prioridade para os casos de maior gravidade clínica.

Em caso de descumprimento, a decisão fixou multa diária de R$ 50 mil por paciente não transferido no prazo. O valor deve ir ao Fundo Municipal de Saúde, com proibição de uso em despesas de pessoal ou publicidade.

Inspeções encontraram 92 pacientes esperando mais de 24 horas

Para verificar o cumprimento da ordem, o MPGO inspecionou as unidades de urgência e emergência em 25 de maio e em 31 de agosto de 2026. As equipes identificaram 92 pacientes que aguardavam transferência para leitos hospitalares, ou alta, por mais de 24 horas.

Inspeção Pacientes além de 24 horas Multa calculada pelo MPGO
25 de maio de 2026 43 R$ 10,45 milhões
31 de agosto de 2026 49 R$ 8,55 milhões
Total 92 R$ 19 milhões
Fonte: Ministério Público de Goiás, cumprimento provisório de sentença.

Segundo o Ministério Público, a situação persistiu mesmo depois de os gestores municipais tomarem ciência da obrigação judicial e das medidas de cobrança. O órgão afirma que a repetição das irregularidades nas duas inspeções, feitas com intervalo de cerca de três meses, demonstra a continuidade do problema.

MPGO calcula R$ 19 milhões com base nos relatórios de fiscalização

O MPGO calculou o valor das multas com base nos períodos de permanência documentados nos relatórios de fiscalização. Dos R$ 19 milhões, R$ 10,45 milhões correspondem às irregularidades de maio e R$ 8,55 milhões às de agosto.

O órgão ressalta que o montante poderá ser complementado depois que obtiver, junto à Secretaria Municipal de Saúde e à Central de Regulação, os registros das datas efetivas de transferência ou alta dos pacientes.

Pedido inclui bloqueio de verbas e multa pessoal aos gestores

No cumprimento provisório de sentença, o MPGO requer a cobrança dos R$ 19 milhões, com bloqueio de verbas do Tesouro Municipal pelo sistema Sisbajud, para assegurar o pagamento.

O Ministério Público também pede multa diária pessoal, autônoma e cumulativa à imposta ao Município. O prefeito e o secretário de Saúde pagariam essa multa com o próprio patrimônio, caso haja novo descumprimento. O valor e a periodicidade ficariam a cargo do Poder Judiciário.

Segundo o MPGO, a medida busca fazer com que a consequência financeira de um novo descumprimento alcance também os gestores responsáveis pelas decisões administrativas necessárias à transferência dos pacientes, e não apenas os cofres públicos. O órgão pede ainda a intimação pessoal de Sandro Mabel e de Luiz Gaspar Machado Pellizzer para que cumpram as obrigações da sentença.

O que o MPGO diz sobre os riscos da espera nas UPAs

O MPGO sustenta que a atuação busca impedir que pacientes que precisam de internação fiquem por períodos prolongados em unidades de urgência, que não se destinam à internação hospitalar. Para o órgão, a situação pode comprometer a qualidade da assistência e expor as pessoas a riscos à saúde e à vida.

O pedido de multa de R$ 19 milhões a Goiânia segue para análise do Poder Judiciário, que decidirá sobre a cobrança, o bloqueio de verbas e a multa pessoal.

Por Redação

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