O Conselho Nacional de Justiça instituiu o Programa Aliança Lilás, que integra os sistemas do Poder Judiciário aos dos órgãos de segurança pública para reduzir o tempo de apreciação das medidas protetivas de urgência. No modelo de referência aplicado no Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, o tempo de resposta caiu de 48 horas para menos de três horas.

Programa usa a plataforma digital do Judiciário

O CNJ informa que a integração vai usar a Plataforma Digital do Poder Judiciário, a PDPJ-BR, com o objetivo declarado de proteção integral de mulheres e meninas em situação de violência.

A supervisora da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres no CNJ, conselheira Jaceguara Dantas, afirma que o programa nacionaliza o projeto do Mato Grosso do Sul.

“Temos a previsão de um fluxo digital e automático das MPUs, reduzindo o tempo e articulando a implantação, de forma cooperativa e gradual com os sistemas de segurança pública”, explicou a conselheira.

Vinte e sete tribunais de justiça terão de adaptar os sistemas

A partir da instituição do programa, os 27 tribunais de justiça do país deverão adaptar o modelo aos respectivos sistemas, com integração das salas de situação dos Centros Integrados Mulher Segura, os CIMS.

O programa também prevê a reestruturação do Painel Nacional de Monitoramento da Violência contra a Mulher, que passará a registrar os indicadores nacionais mínimos de monitoramento.

Entre os indicadores estão o tempo médio de apreciação judicial da medida protetiva, o tempo da decisão judicial e o efetivo cumprimento da medida, incluída a intimação do agressor.

CNJ vai negociar cooperação com Ministério da Justiça e Estados

Outra medida prevista é a articulação interinstitucional, conduzida pelo CNJ, para celebrar instrumentos de cooperação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e com os órgãos de segurança pública dos Estados e do Distrito Federal.

O conselho informa que os acordos vão considerar a diversidade das soluções tecnológicas adotadas em cada unidade da Federação.

Programa Aliança Lilás: o que muda. Fonte: Conselho Nacional de Justiça, 14 de outubro de 2026
Item Informação
Modelo de referência Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul
Tempo de resposta no modelo De 48 horas para menos de 3 horas
Plataforma PDPJ-BR
Tribunais alcançados 27 tribunais de justiça
Indicadores Tempo de apreciação, tempo da decisão e cumprimento da medida

Iniciativa integra pacto nacional contra o feminicídio

O programa é uma das ações do Judiciário previstas no Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, que reúne os Três Poderes.

A ampliação da iniciativa para todo o país também foi proposta na Carta da XX Jornada Maria da Penha, assinada pelas Coordenadorias da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, em agosto de 2026.

Entre os princípios listados pelo CNJ estão a centralidade da proteção integral das mulheres e do acesso efetivo à Justiça, a prevenção, o enfrentamento e a não revitimização.

Medida protetiva tem prazo legal de 48 horas

A Lei Maria da Penha, nº 11.340/2006, prevê no artigo 18 que o juiz tem 48 horas, a contar do recebimento do expediente com o pedido da ofendida, para decidir sobre as medidas protetivas de urgência.

Desde a Lei nº 13.827/2019, a medida também pode ser concedida pela autoridade policial ou pelo policial, em situações específicas, com comunicação ao juiz em 24 horas. O pedido pode ser apresentado na delegacia, na Defensoria Pública, no Ministério Público ou diretamente em juízo.

Por Redação

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