Goiânia (GO) · Publicado em
Isolamento, irritabilidade frequente, alteração do sono, perda de interesse pelas atividades habituais e queda no rendimento escolar ou profissional merecem atenção quando persistem. A lista é do psiquiatra Rawllison Santos, ouvido pela Assembleia Legislativa de Goiás em reportagem sobre saúde mental em Goiás publicada em 9 de outubro, véspera do Dia Mundial da Saúde Mental.
Psiquiatra aponta persistência como critério para procurar ajuda
Para Rawllison Santos, a maior abertura da sociedade para discutir o tema é um avanço, mas exige equilíbrio. “As pessoas estão mais abertas a reconhecer o sofrimento emocional e procurar ajuda. Por outro lado, ainda existe muito preconceito e, ao mesmo tempo, uma tendência a transformar dificuldades comuns da vida em diagnósticos psiquiátricos”, afirmou.
O especialista avalia que é necessário evitar tanto a minimização do sofrimento de quem precisa de tratamento quanto a medicalização de experiências próprias da vida cotidiana. Segundo ele, a identificação precoce pode ajudar a evitar o agravamento dos problemas.
Santos aponta que familiares, escolas e ambientes de trabalho têm condições de perceber mudanças de comportamento e incentivar a busca por atendimento. O psiquiatra afirma ainda que manifestações relacionadas à morte precisam ser levadas a sério.
Telas e redes sociais entram na lista de fatores sobre jovens
Entre crianças, adolescentes e jovens, o psiquiatra cita como fatores de atenção o uso excessivo de telas, a influência das redes sociais, o bullying, a pressão por resultados e as dificuldades nas relações familiares.
Santos sustenta que essas situações precisam ser observadas sem que toda dificuldade emocional ou comportamental seja tratada como doença. Para ele, a família deve participar da vida dos filhos e as escolas precisam estar preparadas para identificar mudanças de comportamento.
Ao poder público, na avaliação do especialista, cabe oferecer espaços de convivência, lazer e esporte, além de garantir acesso aos serviços de saúde mental.
Rede de Atenção Psicossocial reúne os serviços públicos no estado
Em Goiás, a Rede de Atenção Psicossocial, a Raps, reúne os serviços destinados ao cuidado de pessoas em sofrimento psíquico. A estrutura contempla desde os serviços básicos até o atendimento especializado e hospitalar.
O psiquiatra aponta que a principal dificuldade está no acesso e, sobretudo, na continuidade do tratamento. “Não adianta o paciente conseguir uma consulta e depois passar meses sem acompanhamento”, afirmou. Ele defende o fortalecimento da atenção básica, a ampliação dos serviços especializados e uma integração mais eficiente entre as equipes.
Duas leis estaduais tratam de prevenção nas escolas e no trabalho
A Lei estadual nº 23.443/2025, de autoria do deputado Antônio Gomide (PT), instituiu a Semana Estadual de Promoção da Saúde Mental nas Escolas da Rede Pública Estadual de Ensino, realizada anualmente na segunda semana de maio. A norma prevê atividades de bem-estar mental, identificação de sinais de alerta e divulgação de estratégias de enfrentamento.
A Lei nº 24.265/2026 dispõe sobre uma política estadual de atenção à saúde mental em Goiás voltada aos profissionais da saúde pública. O texto prevê ações de orientação, suporte psicossocial, cuidados especializados e identificação de sinais de adoecimento mental.
Projeto quer buscar quem abandona o tratamento
Em tramitação na Alego, o Projeto de Lei nº 7785/26, do deputado Dr. George Morais (MDB), trata de um programa para identificar e acompanhar pessoas com transtornos mentais graves que deixam de comparecer às consultas, interrompem o uso de medicamentos ou abandonam o acompanhamento terapêutico.
O texto, ainda sem votação definitiva, prevê contato com pacientes e familiares, articulação com a rede de apoio e encaminhamento para a retomada do cuidado.
O Dia Mundial da Saúde Mental é celebrado em 10 de outubro.

